domingo, 28 de dezembro de 2008

BORDERLINE

"A todos levei embora e, se houve um momento em que precisei de distração, foi esse. Em completa desolação, olhei para o mundo lá em cima. Vi o céu transformar-se de prata em cinza e em cor de chuva. Até as nuvens tantavam fugir.
Vez por outra, eu imaginava como seria tudo acima daquelas nuvens, sabendo, sem sombra de dúvida, que o Sol era louro e a atmosfera interminável era um gigantesco olho azul."

Ela me olhava de forma definitiva.
Um julgamento, talvez. Algo de fácil compreensão, uma vez que eu já havia passado do ponto naquela rua escura, misturando lágrimas salgadas com vômito doce.
E enquanto eu gritava e atordoava naquela rua fria, ela me olhava. Mais nada, só me olhava. Nem ao menos piedosas palavras escapavam de seus lábios prensados. Apenas o olhar característico daquela noite iluminada.
Era algo cuja essência eu ainda não entendia. Não iria entender até muito tempo depois, quando os olhos secariam e o vômito cessaria. O que demorou anos.
E durante todos aqueles minutos eu me perguntava o que ela queria dizer com aquele olhar de características mórbidas e sombrias; de uma só nota.

O dia foi tomando o lugar da lua. E a luz, agora natural, iluminava aquela cena. Eu, no chão. Deitado, meio morto. Uma poça de algo que não era eu do meu lado; e ela me olhando.
Não entendia o que estava acontecendo ali. Os carros me desviavam e eu acordei com ela do meu lado. Deitada ali comigo naquela imundice doce, salgada, que agora era eu.
Uma coisa doeu por dentro e queimou. Ela me abraçou lacrando aquela dor em mim pra sempre. Disse que agora era o fim. Que não poderia fazer nada, e eu lembro que a separação daqueles lábios doía mais do que o olhar definitivo.
Sentei-me; sentou-se.
E era como se ela havia entrado em mim. Naquele momento ela estava dentro de mim. Naquela dor, naquela ardência. Queria estar nela também, mas já não era possível.
E ali ela ficou. Dentro de mim; e eu fora dela.
Levantou e foi embora.
E equanto ela ia, eu sabia que não conseguiria reunir as forças necessárias para levantar e correr ao encontro dela. Dizer que estava tudo bem, que erros acontecem, que a vida é assim.
Eu não conseguiria mentir.
E ela sabia disso.
E enquanto ela ia, eu percebia as letras negras que marcavam o meu braço.
Ainda não entendia o que havia acontecido.
Mas sabia que estava chegando o fim. E isso doía por dentro. Ela me doía por dentro.
E eu continuei ali, doendo.
Por dias, por mêses, por anos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

10,000 Deaths in a Sunday Night.

"O inferno são os outros".

[No final, nosso tempo é dos outros.
Nosso tempo é os outros.
E eu e você?
Somos os outros dos outros.
Daqueles que ficaram e se foram. E se foram para casas, cidades, bebidas, e fim.]


Começa com um aperto de mão. E melancolia.
Na verdade, começa com o acaso. Numa noite fria e sem rumo.
O som do Sol se pondo só o fez lembrar que quando ele surgisse novamente, do outro lado, mais perto, ele estaria sozinho de novo. E o mundo desabava. E a solidão era imensa; o mundo era imenso, um poço imenso de solidão.
E então o acaso. O aperto de mão e toda a tristeza naquele cumprimento epidermial momentâneo. O olhar correspondido. E aí, aquela mão se assentou na cadeira de plástico barata ao lado, e nunca deixava o copo dele vazio, os dedos sem o cigarro, era quase como se fosse uma importância desimportante, com um desconhecido que precisava de algo, de alguém. O reconhecimento foi imediato. O destino traçado também.
Uma relação inteira passou pels íris daquele do copo vazio. Claro, um possível amor. Como sempre, como com todos aqueles que o seguravam do precipício com o gesto mais ingênuo, sem ao menos saberem disso. Mas dessa vez, dessa vez era para ser diferente, dessa vez foi o acaso.
Em um mundo perfeito, ele teria ficado, o copo cada vez mais cheio, os olhares mais intensos, as pequenas faíscas do amor verdadeiro brotariam ali, naquela noite escura e solitária. E a história começaria ali, com aquelas testemunhas, com aquele amor nascido do acaso. Mas, o mundo não é perfeito, e a atitude impensável e infundada dele fez aquela noite acabar mais cedo. O mundo não é perfeito, e são necessários erros, erros para atingir a perfeição. Mas nesse caso, o erro foi fatal. Foi decisivo como o acaso. O acaso lhe trouxe o amor, o erro lhe trouxe o ódio.
E assim acabou o prelúdio. Carro, casa, cama, sonho, final.



"Sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor.
Pois se eu me comovia vendo você; pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu deus como você me doía vezenquando.
Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma
praça. Então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme, só olhando você, sem dizer nada, só olhando olhando, olhando e pensando meu deus ah meu deus como você me dói vezenquando."

[CONTINUA]

domingo, 14 de dezembro de 2008

From my past relashionships I learned:

Que deve-se doar tudo. Todas as palavras, todas as lágrimas, todos os sorrisos, os momentos de angústia, fraqueza, dor, solidão.
Deve-se doar e receber.
E no final, fica tudo trocado. E você sente por dois.
E pode até sofrer por dois.
Mas nada disso importa. O que importa é que você foi outra pessoa. E nessa troca de almas, desejos, sonhos e tristezas, houve amor. Pode não ter sido muito, mas houve.
E isso é o suficiente para quando tudo acabar você conseguir seguir em frente.
Houve amor, não importa quando, não importa a intensidade.
O que é importa é que houve. Houve e foi mútuo.

LP3

"Houve um tempo em que tive um rio por dentro, mas acabou secando.
EU — É possível um rio secar completamente?
ELA — Claro que é.
EU — Mas será que ele não enche depois? Nunca mais?
ELA — Alguns sim, outros não.
EU — Mas nunca mais?
ELA — Sei lá, acho que não.
EU — Você tem certeza?
ELA — Certeza eu não tenho. Só estou dizendo que acho. Afinal não sou nenhuma especialista em matéria de rios, secos ou não.
EU — Sabe...
ELA — O quê?
EU — Eu tinha esperança que o rio voltasse a encher um dia."

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

“Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.”
(A Hora da Estrela). Clarice Lispector.


EM DEZ ANOS


Prólogo.

Longe daqui. E voar. E voando. Sempre com os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Talvez esse fosse o defeito. Talvez essa fosse a qualidade. E o mundo girando. Girando no nunca, girando no sempre. Sempre beirando a loucura, sempre na borda, sempre na inconstância da vida constante. Pois o viver agora é constante, e o viver daqui a dez anos também. Mas sempre há espaço, sempre sobre um espaço para as dúvidas do ser.



Em dez anos.
É agosto. E ele se pega pensando na medicina. Sempre na medicina, sempre. Últimos anos de residência, internos, chefia, bisturis, as vidas que passaram naquelas mãos e se foram, as vidas que passaram naquelas mãos e ficaram. E a medicina.
Desvairando-se dele, olhamos em volta e percebemos um apartamento vazio. De bom gosto, mas vazio. Não de móveis ou objetos, nem de matéria nenhuma, mas de almas. Há apenas ele, sentado em uma poltrona marrom na sala, e ao mesmo tempo não há ele. Há uma maquina de escrever também. Há cadernos e folhas e canetas e livros. Muitos livros. Lidos e guardados. Nunca se livrara do dom. Nunca se livrara da loucura. Ainda escreveria um livro. Quem sabe mais dez anos?
E pouco mais ao lado, em cima do sofá, uma câmera fotográfica cuidadosamente esquecida. O mundo dele gravado através daquelas lentes. O olhar poderia ser clínico, poderia repassar os livros lidos, decorados, o estudo, a ciência, a certeza e a lucidez. Mas a visão, essa era dele. Não era dos livros, não era da ciência, não era da lucidez. Era ele quem estava dos dois lados daquela câmera, e não em corpo, apenas em alma. Outro dom, outra loucura. Quem sabe quinze anos para essa.
Avançando um pouco mais o apartamento vazio e se dirigindo para o quarto, também vazio. No armário, as roupas, as palavras, as emoções, as cores. No armário, as peles que falavam por ele, que o mostravam, vendiam, alegravam, entristeciam, apaixonavam, viviam por e com ele. Outro mundo, outra parte da loucura, outra parte dele. A parte que ele mostrava, que ele usava, que ele era. Tanto para os outros como para ele. Sempre mais para ele, porque os outros são os outros, os outros não acordam todas as manhãs com a medicina e a loucura. Não acordam para o Sol que ele acorda, para as cores que ele acorda, para o dia que ele acorda.
Continuando, ao lado da cama, um objeto que entende de dor. Entende de raiva, solidão, amor, ódio, angústia e paixão. Uma raquete não deveria entender de tantos sentimentos assim, mas entende. Entende, pois faz parte da loucura, entende pois faz parte dele.
Um movimento. Um movimento, e sem aviso prévio, o corpo se levanta e se locomove até a câmera cuidadosamente esquecida no sofá, interrompendo aqui, a visita que fora constituída por objetos de dez anos de história e dez anos de loucura. Dez futuros anos de loucura. Ele, então, se direciona para a saca, observando o mundo lá em baixo, as pessoas que parecem formigas e os carros que acendem pelas ruas. A Lua lá em cima é gigante, e está toda amarela. Amarela como naquelas noites especiais, presenciadas por ele, em que algo está mudando em alguma parte do mundo. Ele aproxima então o olho biônico do clínico e dá o zoom, desbravando o mundo lá em baixo, até achar outra pessoa, desbravando o mundo lá em cima. Ela estava sentada em um banco naquela praça tão verde e escura. Ele vendo ela, ela vendo a Lua, e a Lua vendo eles dois.
E então algo mudou em algum lugar do mundo naquele momento.
Algo corre pelo pensamento dele, enquanto vê ela, que vê a Lua, que vê eles.
Algo imprevisível, algo que não devia ser pensando, que não devia ser verdade; mas era.
E o amor que havia esperado durante toda a existência passava diante daquele olho biônico, e chegava até ela, e ia até a Lua, e voltava.
E o pensamento escapou, virou voz, virou frase.

“Se eu existisse eu iria até lá".
Se eu existisse.... Mas não existo. Não existo, não posso ir até lá.
Não existo, o amor não existe. Não existo. Não existo por dez anos. E se eu soubesse, se eu soubesse que o amor em dez anos existiria... Mas foi tudo um devaneio rápido na madrugada. Dez anos no futuro. Dez anos que não existiram, uma vida que não existiu. E a noite, hoje, tem Lua amarela.


Epílogo.

O Sol sempre se punha àquela hora. E ele sempre estava lá para ver. Ele e ela. Não mais na sacada de um apartamento vazio, mas no jardim de uma casa no subúrbio. Sentados, discutiam o existencialismo de Sartre, enquanto aquele fenômeno da natureza era observado por tantos como eles. E então algo inesperado.

O olhar dele é desviado para o lado direito. E ali ele vê. Ali ele sente. Uma rosa. Não qualquer rosa. Uma rosa perfeita florescia naquele jardim, naquele final de tarde de outubro. E aquele rosa o lembrava dos olhos verdes. Do amor que há vinte e cinco anos havia ficado para trás. E o lembrou dos sorrisos, dos abraços, das frases e das palavras e onomatopéias trocadas com carinho. Das mentiras e do ódio que haviam ficado no lugar daquele amor. Um sorriso. E por um momento o mundo pareceu em paz. E nesse mesmo momento, do outro lado do mundo uma rosa também florescia em um jardim, lá longe, lá, no meio de todo aquele verde. Aquele verde vazio e confuso. Aquele verde que pertencia àqueles olhos. Aqueles olhos verdes.

domingo, 7 de dezembro de 2008

[passado 1]

E não havia ninguém naquela casa. Ninguém que amasse, ninguém que fosse amado.
Tudo o que havia eram dois corpos deitados em um colchão. Molhados, salgados, vazios.
O vento soprava lá fora. E trazia palavras. E trazia vida.
As letras se juntavam com a força cinética que se projetavam sobre elas. Inocentemente descreviam o que estava prestes a acontecer. E com o vento veio a Lua. E com a Lua veio as palavras. E com as palavras, enfim, chegou o sentimento infinito e tão cuidadosamente evitado até então. O início do fim se propagava silenciosamente pelo corredor vazio rumo ao quarto entreaberto.
Os olhos se desencerraram e o reconhecimento do corpo ao lado foi mútuo. O sentimento dilaceroso também.
O nascimento do amor, e posteriormente do ódio, foi datado naquele mesmo instante, só mesmo quem estava lá para entender uma cena tão triste e tão, tão revoltante.
Um episódio assim é visto poquíssimas vezes numa existência carnal. E lamentado tantas outras.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

eu

quero frio, quero tristeza, sofrimento, dor.
quero fracasso, quero ódio, inveja, escuridão.
quero abandono, raiva, medo, insegurança.
quero culpa, quero fome, injustiça, trevas.
quero mentira, quero vergonha, sujeira, contaminação.
quero doença, desastre e morte.
quero tudo isso pra mim.
mas só pra mim.
quero que não sobre nada pra ninguém.

lírios brancos e poesia.

e eu agora me chamo trevas.
porque tudo que era luz, agora derrama escuridão.
tudo que sorria, agora se quebra em prantos.
e a existência que um dia fora girassóis e balas de menta,
agora são lírios brancos; lírios brancos e poesia.


quando o amor primordial acaba, a vida não continua.
morre naquele mesmo instante.
e a existência,
essa se torna maldita por toda eternidade.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

escorreescorreescorre


e a felicidade virou água.
e agora ela escorre lentamente misturada com o sangue que escapa daqueles olhos presos.
procurando a liberdade condicional.
procurando uma próxima vítima.

porque a felicidade é uma assasina de série.
daquelas que disfarçam muito bem ser tudo o que você precisa e daí aparecem com um machado ou uma chave de fenda afiada na porta do banheiro enquanto você se olha no espelho distraído.
e seu método mais eficaz inclui um coração, dois pares de lábios e algumas palavras que são trocadas rapidamente em algum colchão úmido e mal-lavado.

o mais irritante nesse vai-e-vem de corpos, almas e corações é que ela sempre sai ilesa.
sempre saiu, sempre sairá.
pois do mesmo modo que a felicidade é uma daquelas vadias inevitáveis de salto agulha que ninguém quer encontrar naquela festa, sempre haverá um ser humano cegado pela vontade infinita de achar algo a mais durante seu tempo útil, achando que a felicidade existe de fato.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

S1

As cores jorravam junto com as lágrimas salinas que gotejavam no chão sujo de entranhas e órgãos despedaçados pelo raiva, pela vaidade, pelo orgulho e pelos outros pecados tão familiares e tão capitais.
A vida que flutuava acima dela se desintregava. As partículas se separavam e se dirigiam ao lugar de origem. O mundo acabava, a vida acabava, o universo acabava. E o infinito se refazia novamente.

domingo, 19 de outubro de 2008

19/10/2008

os olhos são fechados.
e é como se uma bolha de ar estivesse se formando dentro de mim; e é como se o ar dentro dela fossem palavras.
e a bolha aumenta.
e começa a sair em forma de lágrimas involuntárias, explodindo em forma de gostas salinas, que queimam e purificam, e escorrem toda a agonia, o desespero e a dor pra fora.

aí levanto.
me direciono ao banheiro, sentindo as palavras que não saíram caíndo pela barra da minha calça e fazendo um rastro enorme de sentimentos pelo chão; sentimentos molhados, escondidos e envergonhados.
pego uma escova, um sabonete e ligo a água na temperatura aliviante de vinte e oito graus.
enquanto esfrego minha pele suja, vejo muito mais que água escorrendo pelo ralo, vejo minha vida inteira refletida naquele líquido incolor e sem gosto.
aí percebo.
sou incolor e sem gosto.
a vida na qual pensei ter sido felizmente bem-sucedido foi na realidade um fracasso; construí meu castelo em areia.
e agora, ela era movediça.
quando a pele das costas de minha mão começou a se desgastar desliguei a água.
limpei as palavras que ainda escorriam de meus olhos, e olhei para o espelho.
a visão era levemente embaçada.
a imagem começou a se formar do outro lado e os raios de luz perfuravam minha íris.
pasmo enquanto via o que havia então me tornado, acreditando que era mentira, uma peça pregada em mim pelo outro lado do espelho, possivelmente querendo vingança de tantas horas gastas por pura vaidade, olhei para o chão e confirmei o que o espelho me mostrava.


eu havia sumido.

sábado, 4 de outubro de 2008

precisodeumporre

o sentimento de completo vazio de novo.
as perguntas, as tempestades, os dias perdidos.
o egocentrismo, o repúdio, o mal-estar.
e então - os remédios para as perguntas, para o egocentrismo, para o repúdio, para o mal-estar, para os remédios.

as palavras que se perdem, os desnexos mais que freqüentes, a incrível sensação de desabamento primitivo.
desordem, ordem, confusão.
o vazio que parece explodir no interior de um pensamento.
e a pergunta tão mais cotidiana:

"será que eles realmente descobriram a felicidade, ou simplesmente aceitaram que a mesma não existe?"

sábado, 19 de julho de 2008

nada

a vida é superestimada
a morte também.

são duas personagens completamente dispensáveis na nossa so called journey.
claro que elas aparecem as vezes como interlocutoras secundárias
e podem até mudar certos eventos predestinados
se é que existe esse absurdo de predestinação.

nada existe.
será que ninguém percebeu isso ainda?
tudo é uma mentira
tudo é desnecessário, tudo não existe
um dia tudo o que acontece/aconteceu/irá acontecer vai ter sido em vão.
tudo é em vão
porque a gente não se situa no passado e muito menos no futuro.
nós nos situamos no presente.
e o presente onde se encontra?
no agora?
mas o agora não existe.
o agora é passado
o agora já se foi.


dizem que a humanidade é o que há de mais maravilhoso e miraculoso.
e nós sabemos o que mais já aconteceu? ou que o que irá acontecer?
não conseguimos nem ao menos definir nossas origens, for god's sake.
começamos do nada e vamos acabar no nada.

uma nação inútil.
mas não se sinta mal, fomos destinados à inutilidade mesmo.

agora inverta.

nonsense

's trapped inside
took too much in now he can get anything out.
wishes he was someone's last sound heard when its eyes were closing
but he won't
's just nothing
at all
's always trapped on the other side of this shattered glass in some far away dimension
his ever present past
his disease
his fucking fate
's fated to pretend
'cause reality is just not an option
closed he's closed
I hope it's never too late.



"the thought of death it scares me to death
there's just too much to never wake up to"
lie

'm just visiting.

iamtheoneworthleaving
i know why











lifedeath
deathlife
just words
just games
like drowning
drowning is a game
and i press play

quinta-feira, 10 de julho de 2008

winter/summer

é aquela época do ano novamente.
o ar é mais rarefeito, o sol queima com mais intesidade.
até as folhas acham um jeito de me alertar para o que está acontecendo em minha volta mais uma vez.
o meu mundo vai diminuindo, diminuindo até que desaparece momentaneamente.
e nesse meio tempo, a escuridão volta.
aquela que eu tento fugir sempre que posso [mas nesta época se torna quase impossível].
ela me prende e me sufoca, retirando o já pouco ar de dentro dos meus pulmões.
o sol então enegrece, começa a queimar mais, com uma luz insuportável [eis o motivo pelo qual evito todo e qualquer contato com o exterior].
os remédios que geralmente me ajudam, ou pelo menos me dão a ilusão de que nada de ruim vai acontecer, começaram a perder o efeito ano passado, mas eu não conto isso a ninguém.
lâminas afiadas e piscinas profundas começam a sorrir para mim e me desejar bom dia todas as manhãs.
são tão aconchegantes, tão amigáveis nesse período tão difícil.
às vezes eu respondo [ser gentil sempre foi um defeito meu].
e então, após dias de tormento, de tornados e terremotos imaginários, as nuvens se vão, os raios se silenciam, o chão começa a se fechar novamente.
aí eu lembro:
é hora de ir para a escola.
isso está virando sentimentalismo demais,
um bode expiatório gigantesco e quase fora de controle.

não mais.
palavras são infinitas e emoções não.
não combina não presta.


mudando.

sábado, 21 de junho de 2008

à solidão.

eu, srta. Prym, sra. Berta, Jeliza-Rose, Dickens, Michael Alig e James st. James.
e claro, o demônio.
minhas únicas companhias hoje.
às vezes eu sinto que fui feito para a solidão, e ela pra mim.
pode até dar certo, se continuarmos com dias como esse...

ela me conhece como ninguém.
ela me sufoca, me agoniza, me despreza, me exausta.
mas no final é sempre eu e ela...
maldita seja a predestinação, maldito seja o destino.
e para o inferno com todos os amantes, todos os laços ainda amarrados no berço, todo o romantismo platônico que chega ao fim, pois ao final de tudo, é sempre eu e ela.
é pra ela que eu corro, mesmo sabendo que suga a vida de mim lentamente;
é pra ela que eu desabafo, mesmo sabendo que usará tudo contra mim em punhaladas futuras;
é pra ela que eu me entrego, mesmo sabendo que não passa de uma amante, mesmo sabendo que é e sempre será minha para sempre, apesar da minha luta por outra.. ah a outra, que gosto apaixonante, que gosto ilusório e satisfatório a felicidade possui.
podia dedicar-lhe um soneto, outra.
podia manipular-lhe um haikai.
mas não, não alimento falsas esperanças.
porque sempre vou voltar para aquela que me pertence,
sempre vou render-me às complexidades de sua essência.
portanto saiba que sempre me terá, mesmo que não seja fiel às vezes, serei sempre seu, eternamente, impeterivelmente, aprisionadamente.


(um breve lapso na casualidade deste blog, resultado de capitu, e de viscos)

sábado, 3 de maio de 2008

ny ny

um final de semana é o suficiente para uma simples lembrança distante se tornar uma síndrome derrepente.
um final de semana é o suficiente para uma simples pergunta se tornar uma esquizofrenia, uma psicose, uma sociopatia.
um final de semana é mais que suficiente para arruianar uma vida para sempre.


eu sei disso. eu sei muito bem disso.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

solving a mistery [...]

what is it with this odd fixation for life?
I mean, it's just a four letter word with a meaning attached to it.
I guess it is the meaning that makes this particular word so special; no one has discovered yet.

What if someone discover it?
What if someone already have?
What if it doesn't have a meaning at all?

well, I guess we're back to where we started.

and the mistery remains [...]

quinta-feira, 27 de março de 2008

um segundo antes de encontrar com o chão após pular de um prédio de trinta andares,
o gosto de ácido sulfúrico,
uma tesoura penetrando o seu lóbulo frontal,
um tiro no tecido miocárdico
um bloco de concreto de setecentas toneladas se deslocando para baixo ao encontro do seu corpo, asfixia,
queimadura de quarto grau,
a "força" do vácuo,
estágio terminal de HIV, câncer, etc.
uma parada cardíaca,
entrar em um incinerador,
trituração uniforme,
choque de mais de três milhões amperes,
remoção de órgãos vitais,
[etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc]


é esse tipo de coisa que eu penso quando estou sosinho no meu quarto tentando dormir.
"sensações que você nunca vai sentir, ou pelo menos apenas uma única vez"

done with this life

a única coisa que eu quero agora é ir ao meu quarto, trancar a porta, desligar a luz, deitar na cama, fechar os olhos e esvairecer, sumir do mundo como se fosse um montinho de areia sendo soprado da mão de uma criança na praia.
esquecer de tudo e fugir com o vento pra bem longe.

domingo, 23 de março de 2008

MUSE

e enquanto isso eu fico esperando a minha hora
a hora em que eu vou finalmente ter o que eu quero.

"See, the luck I've had
can make a good man turn bad
so please please please, let me get what I want this time
haven't had a dream in a long time

See, the life I've had can make a good man bad
so for once in my life let me get what I want
Lord knows, it would be the first time"


sexta-feira, 21 de março de 2008

os dias passam e os comprimidos aumentam..

quinta-feira, 20 de março de 2008

frustração

não consigo pensar não consigo resolver não consigo dividir não consigo ler não consigo equacionar não consigo dissolver não consigo digerir não consigo sentir não consigo não consigo não consigo não consigo não consigo não consigo não consigo

consegui por toda minha vida, agora não consigo mais
eu preciso conseguir denovo
eu preciso
mas eu não consigo.


[depois de tanta repetição conseguir não me parece um verbo mais]
não consigo verbalizar.

quarta-feira, 12 de março de 2008

11:39 p.m.

Ao entrar na sala, seus olhos abriram-se subitamente, mais do que já estavam abertos antes, para absorver todas as cores, todas as formas, todas as suas últimas imagens, a agulha, o veneno, a face levemente retorcida dos que o assistiam através do espesso bloco de vidro na parte superior direita da sala. Ele sabia que dali nunca mais iria sair; ele sabia que em trinta a quartenta minutos sua vida seria apenas uma memória para as pessoas que o conheceram.
As imagens dos rostos e aspectos físicos de todos que já conhecera saltaram em seus pensamentos, como se estivessem dentro de uma caixa já saturada, que acabara de explodir, e então seu primeiro instinto foi selecionar todos aqueles que realmente se lembrariam dele ou que pelo menos haviam sido afetados pela sua maldita existência.
Subitamente uma luz prateada e morna infiltrou-se por entre sua pupila e fez seus olhos arderem; o show estava prestes a começar.
Seus olhos ficaram inativos e imprestáveis pelos respectivos segundos, e seu coração disparou levemente, intercalando-se entre uma acelerada e outra, esporadicamente cessando.
Empurraram-o levemente e ele entendeu o recado, vagarosamente sentou-se na cadeira a sua frente e enquanto o amarravam pelas mãos e pés, ele lembrou-se da única coisa que havia dado um significado a sua vida. Lembrou-se da sua única alegria, da sua única vontade, do único hábito que o mantivera vivo até esse ponto. Lembrou-se de suas cartas, poemas, críticas, artigos, livros, frases, verbos, letras, pontuações. Sua existência inteira tivera apenas uma razão, tivera apenas um propósito, sua existência foi destinada a arte das palavras. Nunca tivera, porém, nada publicado, todas as suas aventuras eram experimentais; isso pelo menos até terminar o jornalismo. Lembrou-se dos gloriosos primeiros semestres, e gradualmente foi se instalando a tão inevitável depressão antagônica. Nunca iria terminar seu curso, nunca iria ser um grande jornalista científico como sonhara uma vez em seu quarto. Porém tinha certeza de que todo o seu esforço não fora em vão, sabia que iriam encontrar toda a sua vida resumida em palavras e em encontros consonantais cuidadosamente arquitetados. Sentiu-se um pouco melhor por isso.
Distraído, nem sentiu a agulha penetrando sua pele, mas após distrair-se de seus pensamentos e ver a agulha cravada em seu braço contraiu seu músculo, causando uma pontada de dor suave e uma gota de sangue solitária a surgir por entre a agulha.
Nos minutos que se sucederam, pôde sentir o veneno lentamente entrando em sua corrente sanguínea e movimentando-se uniformemente com suas plaquetas e seus glóbulos brancos em direção ao seu cérebro.
Fechou os olhos e esperou pela primeira convulsão de infinitas a se seguirem. Ao final de exatos dois minutos e três segundos [ele havia contado], começou.
Três agonizantes mortes depois ele abaixou a cabeça e ficou esperando enquanto seu corpo tentava lutar contra as toxinas invasoras. Sabia que era em vão, e já estava se acostumando com a idéia de descansar em meio os indescansáveis. Gradualmente sua visão foi cedendo, e enquanto uma cortina negra se fechava sentiu o próximo tremor se aproximando, fechou seus olhos que encontravam-se alagados de lágrimas e dor, e para sua surpresa se sentiu finalmente vivo. Sentiu-se como se sua existência tivera algum sentido, sentiu-se finalmente humano. Uma palavra escapara por entre seus lábios e então sua alma lentamente seguiu para o desconhecido; finalmente paz.
Os carrascos que o haviam trazido ali desamarraram seus restos mortais e o colocaram em uma maca que mais tarde iria ser direcionada ao necrotério, após a multidão ter desaparecido tão rapidamente como se tivesse se dissipado no ar, as luzes foram apagadas e então a sala ficou vazia, o mundo sem perceber ficou inteiramente em silêncio por um segundo, e durante esse segundo todos os corações sentiram um vazio, por menor que fossem, sentiram que haviam perdido uma parte de si, a parte que os fazia únicos, a parte que os deixava em paz consigo mesmo, a parte que era suprimida, que todos lutavam contra a expor, e que sabia que alguém havia feito e pagara um preço precioso por isso.
Eram 11:39 da noite.

quinta-feira, 6 de março de 2008

a&e

Não consigo escrever, não consigo. Será que nunca consegui?
Agora eu imagino se o que me difere dos outros nunca existiu de fato.
Ou se eu simplesmente mudei.
Ou pior, me tornei igual...

Preciso voltar a escrever, preciso da minha imaginação de volta, preciso de insipração, preciso de votade. Preciso reaprender a viver, preciso reaprender o meu jeito de viver.

quarta-feira, 5 de março de 2008

preguiça.

Realmente, quando tudo começa a melhorar uma endoscopia tinha que estragar tudo.
bom, não estava tão melhor assim.
A felicidade é superestimada, tem gente que diz que ela nunca existiu..
bom.. talvez em algum lugar do passado...
não, nunca existiu.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

B

É estranho se sentir perdido em sua própria casa, em seu próprio corpo.
Mas um dia você acorda e percebe que algo mudou, que algo mudou lá dentro, bem no fundo.
Você não sabe direito o que é, mas tem certeza que algo mudou, e você gostava tanto de quem você era.. E você espera desesperadamente que essa pequena mudança não seja um sinal,
um sinal de que mais coisas vão mudar, um sinal de que você já não é quem você foi um dia. Que você está, de fato, mudando.

"There are very many things
I would like to say to you,
but i've lost my way
and I've lost my words.
There are very many places
I would like to go
but I can't find the keyto open my door.
The weight of my words
you can't feel it anymore.
The weight of my words
you can't feel it anymore..."

I can't feel it anymore...