quinta-feira, 6 de novembro de 2008

escorreescorreescorre


e a felicidade virou água.
e agora ela escorre lentamente misturada com o sangue que escapa daqueles olhos presos.
procurando a liberdade condicional.
procurando uma próxima vítima.

porque a felicidade é uma assasina de série.
daquelas que disfarçam muito bem ser tudo o que você precisa e daí aparecem com um machado ou uma chave de fenda afiada na porta do banheiro enquanto você se olha no espelho distraído.
e seu método mais eficaz inclui um coração, dois pares de lábios e algumas palavras que são trocadas rapidamente em algum colchão úmido e mal-lavado.

o mais irritante nesse vai-e-vem de corpos, almas e corações é que ela sempre sai ilesa.
sempre saiu, sempre sairá.
pois do mesmo modo que a felicidade é uma daquelas vadias inevitáveis de salto agulha que ninguém quer encontrar naquela festa, sempre haverá um ser humano cegado pela vontade infinita de achar algo a mais durante seu tempo útil, achando que a felicidade existe de fato.

Nenhum comentário: