um segundo antes de encontrar com o chão após pular de um prédio de trinta andares,
o gosto de ácido sulfúrico,
uma tesoura penetrando o seu lóbulo frontal,
um tiro no tecido miocárdico
um bloco de concreto de setecentas toneladas se deslocando para baixo ao encontro do seu corpo, asfixia,
queimadura de quarto grau,
a "força" do vácuo,
estágio terminal de HIV, câncer, etc.
uma parada cardíaca,
entrar em um incinerador,
trituração uniforme,
choque de mais de três milhões amperes,
remoção de órgãos vitais,
[etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc]
é esse tipo de coisa que eu penso quando estou sosinho no meu quarto tentando dormir.
"sensações que você nunca vai sentir, ou pelo menos apenas uma única vez"
quinta-feira, 27 de março de 2008
done with this life
a única coisa que eu quero agora é ir ao meu quarto, trancar a porta, desligar a luz, deitar na cama, fechar os olhos e esvairecer, sumir do mundo como se fosse um montinho de areia sendo soprado da mão de uma criança na praia.
domingo, 23 de março de 2008
MUSE
e enquanto isso eu fico esperando a minha hora
a hora em que eu vou finalmente ter o que eu quero.
"See, the luck I've had
can make a good man turn bad
so please please please, let me get what I want this time
haven't had a dream in a long time
See, the life I've had can make a good man bad
so for once in my life let me get what I want
Lord knows, it would be the first time"
a hora em que eu vou finalmente ter o que eu quero.
"See, the luck I've had
can make a good man turn bad
so please please please, let me get what I want this time
haven't had a dream in a long time
See, the life I've had can make a good man bad
so for once in my life let me get what I want
Lord knows, it would be the first time"
sexta-feira, 21 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
frustração
não consigo pensar não consigo resolver não consigo dividir não consigo ler não consigo equacionar não consigo dissolver não consigo digerir não consigo sentir não consigo não consigo não consigo não consigo não consigo não consigo não consigo
consegui por toda minha vida, agora não consigo mais
eu preciso conseguir denovo
eu preciso
mas eu não consigo.
[depois de tanta repetição conseguir não me parece um verbo mais]
não consigo verbalizar.
consegui por toda minha vida, agora não consigo mais
eu preciso conseguir denovo
eu preciso
mas eu não consigo.
[depois de tanta repetição conseguir não me parece um verbo mais]
não consigo verbalizar.
quarta-feira, 12 de março de 2008
11:39 p.m.
Ao entrar na sala, seus olhos abriram-se subitamente, mais do que já estavam abertos antes, para absorver todas as cores, todas as formas, todas as suas últimas imagens, a agulha, o veneno, a face levemente retorcida dos que o assistiam através do espesso bloco de vidro na parte superior direita da sala. Ele sabia que dali nunca mais iria sair; ele sabia que em trinta a quartenta minutos sua vida seria apenas uma memória para as pessoas que o conheceram.
As imagens dos rostos e aspectos físicos de todos que já conhecera saltaram em seus pensamentos, como se estivessem dentro de uma caixa já saturada, que acabara de explodir, e então seu primeiro instinto foi selecionar todos aqueles que realmente se lembrariam dele ou que pelo menos haviam sido afetados pela sua maldita existência.
Subitamente uma luz prateada e morna infiltrou-se por entre sua pupila e fez seus olhos arderem; o show estava prestes a começar.
Seus olhos ficaram inativos e imprestáveis pelos respectivos segundos, e seu coração disparou levemente, intercalando-se entre uma acelerada e outra, esporadicamente cessando.
Empurraram-o levemente e ele entendeu o recado, vagarosamente sentou-se na cadeira a sua frente e enquanto o amarravam pelas mãos e pés, ele lembrou-se da única coisa que havia dado um significado a sua vida. Lembrou-se da sua única alegria, da sua única vontade, do único hábito que o mantivera vivo até esse ponto. Lembrou-se de suas cartas, poemas, críticas, artigos, livros, frases, verbos, letras, pontuações. Sua existência inteira tivera apenas uma razão, tivera apenas um propósito, sua existência foi destinada a arte das palavras. Nunca tivera, porém, nada publicado, todas as suas aventuras eram experimentais; isso pelo menos até terminar o jornalismo. Lembrou-se dos gloriosos primeiros semestres, e gradualmente foi se instalando a tão inevitável depressão antagônica. Nunca iria terminar seu curso, nunca iria ser um grande jornalista científico como sonhara uma vez em seu quarto. Porém tinha certeza de que todo o seu esforço não fora em vão, sabia que iriam encontrar toda a sua vida resumida em palavras e em encontros consonantais cuidadosamente arquitetados. Sentiu-se um pouco melhor por isso.
Distraído, nem sentiu a agulha penetrando sua pele, mas após distrair-se de seus pensamentos e ver a agulha cravada em seu braço contraiu seu músculo, causando uma pontada de dor suave e uma gota de sangue solitária a surgir por entre a agulha.
Nos minutos que se sucederam, pôde sentir o veneno lentamente entrando em sua corrente sanguínea e movimentando-se uniformemente com suas plaquetas e seus glóbulos brancos em direção ao seu cérebro.
Fechou os olhos e esperou pela primeira convulsão de infinitas a se seguirem. Ao final de exatos dois minutos e três segundos [ele havia contado], começou.
Três agonizantes mortes depois ele abaixou a cabeça e ficou esperando enquanto seu corpo tentava lutar contra as toxinas invasoras. Sabia que era em vão, e já estava se acostumando com a idéia de descansar em meio os indescansáveis. Gradualmente sua visão foi cedendo, e enquanto uma cortina negra se fechava sentiu o próximo tremor se aproximando, fechou seus olhos que encontravam-se alagados de lágrimas e dor, e para sua surpresa se sentiu finalmente vivo. Sentiu-se como se sua existência tivera algum sentido, sentiu-se finalmente humano. Uma palavra escapara por entre seus lábios e então sua alma lentamente seguiu para o desconhecido; finalmente paz.
Os carrascos que o haviam trazido ali desamarraram seus restos mortais e o colocaram em uma maca que mais tarde iria ser direcionada ao necrotério, após a multidão ter desaparecido tão rapidamente como se tivesse se dissipado no ar, as luzes foram apagadas e então a sala ficou vazia, o mundo sem perceber ficou inteiramente em silêncio por um segundo, e durante esse segundo todos os corações sentiram um vazio, por menor que fossem, sentiram que haviam perdido uma parte de si, a parte que os fazia únicos, a parte que os deixava em paz consigo mesmo, a parte que era suprimida, que todos lutavam contra a expor, e que sabia que alguém havia feito e pagara um preço precioso por isso.
Eram 11:39 da noite.
As imagens dos rostos e aspectos físicos de todos que já conhecera saltaram em seus pensamentos, como se estivessem dentro de uma caixa já saturada, que acabara de explodir, e então seu primeiro instinto foi selecionar todos aqueles que realmente se lembrariam dele ou que pelo menos haviam sido afetados pela sua maldita existência.
Subitamente uma luz prateada e morna infiltrou-se por entre sua pupila e fez seus olhos arderem; o show estava prestes a começar.
Seus olhos ficaram inativos e imprestáveis pelos respectivos segundos, e seu coração disparou levemente, intercalando-se entre uma acelerada e outra, esporadicamente cessando.
Empurraram-o levemente e ele entendeu o recado, vagarosamente sentou-se na cadeira a sua frente e enquanto o amarravam pelas mãos e pés, ele lembrou-se da única coisa que havia dado um significado a sua vida. Lembrou-se da sua única alegria, da sua única vontade, do único hábito que o mantivera vivo até esse ponto. Lembrou-se de suas cartas, poemas, críticas, artigos, livros, frases, verbos, letras, pontuações. Sua existência inteira tivera apenas uma razão, tivera apenas um propósito, sua existência foi destinada a arte das palavras. Nunca tivera, porém, nada publicado, todas as suas aventuras eram experimentais; isso pelo menos até terminar o jornalismo. Lembrou-se dos gloriosos primeiros semestres, e gradualmente foi se instalando a tão inevitável depressão antagônica. Nunca iria terminar seu curso, nunca iria ser um grande jornalista científico como sonhara uma vez em seu quarto. Porém tinha certeza de que todo o seu esforço não fora em vão, sabia que iriam encontrar toda a sua vida resumida em palavras e em encontros consonantais cuidadosamente arquitetados. Sentiu-se um pouco melhor por isso.
Distraído, nem sentiu a agulha penetrando sua pele, mas após distrair-se de seus pensamentos e ver a agulha cravada em seu braço contraiu seu músculo, causando uma pontada de dor suave e uma gota de sangue solitária a surgir por entre a agulha.
Nos minutos que se sucederam, pôde sentir o veneno lentamente entrando em sua corrente sanguínea e movimentando-se uniformemente com suas plaquetas e seus glóbulos brancos em direção ao seu cérebro.
Fechou os olhos e esperou pela primeira convulsão de infinitas a se seguirem. Ao final de exatos dois minutos e três segundos [ele havia contado], começou.
Três agonizantes mortes depois ele abaixou a cabeça e ficou esperando enquanto seu corpo tentava lutar contra as toxinas invasoras. Sabia que era em vão, e já estava se acostumando com a idéia de descansar em meio os indescansáveis. Gradualmente sua visão foi cedendo, e enquanto uma cortina negra se fechava sentiu o próximo tremor se aproximando, fechou seus olhos que encontravam-se alagados de lágrimas e dor, e para sua surpresa se sentiu finalmente vivo. Sentiu-se como se sua existência tivera algum sentido, sentiu-se finalmente humano. Uma palavra escapara por entre seus lábios e então sua alma lentamente seguiu para o desconhecido; finalmente paz.
Os carrascos que o haviam trazido ali desamarraram seus restos mortais e o colocaram em uma maca que mais tarde iria ser direcionada ao necrotério, após a multidão ter desaparecido tão rapidamente como se tivesse se dissipado no ar, as luzes foram apagadas e então a sala ficou vazia, o mundo sem perceber ficou inteiramente em silêncio por um segundo, e durante esse segundo todos os corações sentiram um vazio, por menor que fossem, sentiram que haviam perdido uma parte de si, a parte que os fazia únicos, a parte que os deixava em paz consigo mesmo, a parte que era suprimida, que todos lutavam contra a expor, e que sabia que alguém havia feito e pagara um preço precioso por isso.
Eram 11:39 da noite.
quinta-feira, 6 de março de 2008
a&e
Não consigo escrever, não consigo. Será que nunca consegui?
Agora eu imagino se o que me difere dos outros nunca existiu de fato.
Ou se eu simplesmente mudei.
Ou pior, me tornei igual...
quarta-feira, 5 de março de 2008
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