As notas eram heréticas. Os acordes celestialmente estripados naquele instrumento incomum.
O som se movia desastrosamente por entre os móveis, e muitas vezes pedia desculpa por derrubar alguns ao chão.
Era tudo muito lindo, era tudo muito perfeito.
O êxtase de tanta maestria era relatado pelas lágrimas involuntárias e sempre fáceis.
E então o sonho acabou, e o Sol se infiltrou em suas córneas novamente. Pois era assim que o dia era percebido, uma vez que o mundo era mudo, e se recusava a qualquer custo a dividir tamanha beleza a não ser através de sonhos noturnos de um irreal imaginável.
Sou uma flexão verbal perdida em meio a tanto predicativo, e perdendo as esperanças com relação ao grande objeto indireto e ao substantivo abstrato que me cercam.
Me sinto errado.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Overdrive [Pt. 1].
"I have to brak down all the corners of the world. Don't heap your praise on me, I know I don't deserve it.
And I miss you, and I need you... I do."
Tinha cabelos castanhos, olhos claros e um sorriso maquiavélico. assim como Maquiavel, também acreditava que os fins justificavam os meios. E era preso em si mesmo. Media palavras, calculava ações. Sabia manipular. Nessa selva de pedras, logo aprendera que era necessário sabe manipular. E ele sabia. Sabia bem. Manipulava a si mesmo às vezes. Isso, aprendeu com o tempo. Do mesmo jeito que aprendeu que amizade, amor, essa baboseira toda, não serve para nada. A não ser que fossem manipulados. Aí, poderiam significar o mundo. Não que ele quisesse o mundo, mas era o mundo que o queria. E disso, ele não poderia escapar. Tentou. Uma, duas, três vezes; remédios, remédios mais álcool, drogas. Finalmente, ao perceber que não poderia escapar, que estava definitivamente preso nesse plano existencial, resolveu tomar controle. Possuir completamente, unicamente. Aprendeu a amar e a querer o mundo. Mas isso não era preciso. O mundo já era dele.
[...]
And I miss you, and I need you... I do."
Tinha cabelos castanhos, olhos claros e um sorriso maquiavélico. assim como Maquiavel, também acreditava que os fins justificavam os meios. E era preso em si mesmo. Media palavras, calculava ações. Sabia manipular. Nessa selva de pedras, logo aprendera que era necessário sabe manipular. E ele sabia. Sabia bem. Manipulava a si mesmo às vezes. Isso, aprendeu com o tempo. Do mesmo jeito que aprendeu que amizade, amor, essa baboseira toda, não serve para nada. A não ser que fossem manipulados. Aí, poderiam significar o mundo. Não que ele quisesse o mundo, mas era o mundo que o queria. E disso, ele não poderia escapar. Tentou. Uma, duas, três vezes; remédios, remédios mais álcool, drogas. Finalmente, ao perceber que não poderia escapar, que estava definitivamente preso nesse plano existencial, resolveu tomar controle. Possuir completamente, unicamente. Aprendeu a amar e a querer o mundo. Mas isso não era preciso. O mundo já era dele.
[...]
sábado, 5 de setembro de 2009
Nãomais.
"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."
CFA THEMASTER
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."
CFA THEMASTER
terça-feira, 14 de julho de 2009
mudei, mudarei...estou mudando.
É extremamente estranho para mim quando as coisas começam a dar certo.
Muito mais estranho, é pensar que elas vêm dando certo há 6 meses.
Fico preocupado ao pensar aonde foram todos aqueles sentimentos fronteiriços e aquela alma retalhada. Claro, que vezemquando ainda sinto gosto de psicose e bipolaridade, mas não com a intensidade de 175 dias atrás.
Estranho também pensar que durante a próxima semana meu futuro profissional e pessoal será decidido. É quase que um alívio a esperança de uma cheia. Uma imundação de cores, sabores, pensamentos, letras, números, possibilidades.
Fazia tempo que não escrevia... acho que estava inconscientemente esperando tudo passar. Tudo passa não é? Até amor...
quemontedebesteira.
Muito mais estranho, é pensar que elas vêm dando certo há 6 meses.
Fico preocupado ao pensar aonde foram todos aqueles sentimentos fronteiriços e aquela alma retalhada. Claro, que vezemquando ainda sinto gosto de psicose e bipolaridade, mas não com a intensidade de 175 dias atrás.
Estranho também pensar que durante a próxima semana meu futuro profissional e pessoal será decidido. É quase que um alívio a esperança de uma cheia. Uma imundação de cores, sabores, pensamentos, letras, números, possibilidades.
Fazia tempo que não escrevia... acho que estava inconscientemente esperando tudo passar. Tudo passa não é? Até amor...
quemontedebesteira.
domingo, 28 de dezembro de 2008
BORDERLINE
"A todos levei embora e, se houve um momento em que precisei de distração, foi esse. Em completa desolação, olhei para o mundo lá em cima. Vi o céu transformar-se de prata em cinza e em cor de chuva. Até as nuvens tantavam fugir.
Vez por outra, eu imaginava como seria tudo acima daquelas nuvens, sabendo, sem sombra de dúvida, que o Sol era louro e a atmosfera interminável era um gigantesco olho azul."
Ela me olhava de forma definitiva.
Um julgamento, talvez. Algo de fácil compreensão, uma vez que eu já havia passado do ponto naquela rua escura, misturando lágrimas salgadas com vômito doce.
E enquanto eu gritava e atordoava naquela rua fria, ela me olhava. Mais nada, só me olhava. Nem ao menos piedosas palavras escapavam de seus lábios prensados. Apenas o olhar característico daquela noite iluminada.
Era algo cuja essência eu ainda não entendia. Não iria entender até muito tempo depois, quando os olhos secariam e o vômito cessaria. O que demorou anos.
E durante todos aqueles minutos eu me perguntava o que ela queria dizer com aquele olhar de características mórbidas e sombrias; de uma só nota.
O dia foi tomando o lugar da lua. E a luz, agora natural, iluminava aquela cena. Eu, no chão. Deitado, meio morto. Uma poça de algo que não era eu do meu lado; e ela me olhando.
Não entendia o que estava acontecendo ali. Os carros me desviavam e eu acordei com ela do meu lado. Deitada ali comigo naquela imundice doce, salgada, que agora era eu.
Uma coisa doeu por dentro e queimou. Ela me abraçou lacrando aquela dor em mim pra sempre. Disse que agora era o fim. Que não poderia fazer nada, e eu lembro que a separação daqueles lábios doía mais do que o olhar definitivo.
Sentei-me; sentou-se.
E era como se ela havia entrado em mim. Naquele momento ela estava dentro de mim. Naquela dor, naquela ardência. Queria estar nela também, mas já não era possível.
E ali ela ficou. Dentro de mim; e eu fora dela.
Levantou e foi embora.
E equanto ela ia, eu sabia que não conseguiria reunir as forças necessárias para levantar e correr ao encontro dela. Dizer que estava tudo bem, que erros acontecem, que a vida é assim.
Eu não conseguiria mentir.
E ela sabia disso.
E enquanto ela ia, eu percebia as letras negras que marcavam o meu braço.
Ainda não entendia o que havia acontecido.
Mas sabia que estava chegando o fim. E isso doía por dentro. Ela me doía por dentro.
E eu continuei ali, doendo.
Por dias, por mêses, por anos.
Vez por outra, eu imaginava como seria tudo acima daquelas nuvens, sabendo, sem sombra de dúvida, que o Sol era louro e a atmosfera interminável era um gigantesco olho azul."
Ela me olhava de forma definitiva.
Um julgamento, talvez. Algo de fácil compreensão, uma vez que eu já havia passado do ponto naquela rua escura, misturando lágrimas salgadas com vômito doce.
E enquanto eu gritava e atordoava naquela rua fria, ela me olhava. Mais nada, só me olhava. Nem ao menos piedosas palavras escapavam de seus lábios prensados. Apenas o olhar característico daquela noite iluminada.
Era algo cuja essência eu ainda não entendia. Não iria entender até muito tempo depois, quando os olhos secariam e o vômito cessaria. O que demorou anos.
E durante todos aqueles minutos eu me perguntava o que ela queria dizer com aquele olhar de características mórbidas e sombrias; de uma só nota.
O dia foi tomando o lugar da lua. E a luz, agora natural, iluminava aquela cena. Eu, no chão. Deitado, meio morto. Uma poça de algo que não era eu do meu lado; e ela me olhando.
Não entendia o que estava acontecendo ali. Os carros me desviavam e eu acordei com ela do meu lado. Deitada ali comigo naquela imundice doce, salgada, que agora era eu.
Uma coisa doeu por dentro e queimou. Ela me abraçou lacrando aquela dor em mim pra sempre. Disse que agora era o fim. Que não poderia fazer nada, e eu lembro que a separação daqueles lábios doía mais do que o olhar definitivo.
Sentei-me; sentou-se.
E era como se ela havia entrado em mim. Naquele momento ela estava dentro de mim. Naquela dor, naquela ardência. Queria estar nela também, mas já não era possível.
E ali ela ficou. Dentro de mim; e eu fora dela.
Levantou e foi embora.
E equanto ela ia, eu sabia que não conseguiria reunir as forças necessárias para levantar e correr ao encontro dela. Dizer que estava tudo bem, que erros acontecem, que a vida é assim.
Eu não conseguiria mentir.
E ela sabia disso.
E enquanto ela ia, eu percebia as letras negras que marcavam o meu braço.
Ainda não entendia o que havia acontecido.
Mas sabia que estava chegando o fim. E isso doía por dentro. Ela me doía por dentro.
E eu continuei ali, doendo.
Por dias, por mêses, por anos.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
10,000 Deaths in a Sunday Night.
"O inferno são os outros".
[No final, nosso tempo é dos outros.
Nosso tempo é os outros.
E eu e você?
Somos os outros dos outros.
Daqueles que ficaram e se foram. E se foram para casas, cidades, bebidas, e fim.]
Começa com um aperto de mão. E melancolia.
Na verdade, começa com o acaso. Numa noite fria e sem rumo.
O som do Sol se pondo só o fez lembrar que quando ele surgisse novamente, do outro lado, mais perto, ele estaria sozinho de novo. E o mundo desabava. E a solidão era imensa; o mundo era imenso, um poço imenso de solidão.
E então o acaso. O aperto de mão e toda a tristeza naquele cumprimento epidermial momentâneo. O olhar correspondido. E aí, aquela mão se assentou na cadeira de plástico barata ao lado, e nunca deixava o copo dele vazio, os dedos sem o cigarro, era quase como se fosse uma importância desimportante, com um desconhecido que precisava de algo, de alguém. O reconhecimento foi imediato. O destino traçado também.
Uma relação inteira passou pels íris daquele do copo vazio. Claro, um possível amor. Como sempre, como com todos aqueles que o seguravam do precipício com o gesto mais ingênuo, sem ao menos saberem disso. Mas dessa vez, dessa vez era para ser diferente, dessa vez foi o acaso.
Em um mundo perfeito, ele teria ficado, o copo cada vez mais cheio, os olhares mais intensos, as pequenas faíscas do amor verdadeiro brotariam ali, naquela noite escura e solitária. E a história começaria ali, com aquelas testemunhas, com aquele amor nascido do acaso. Mas, o mundo não é perfeito, e a atitude impensável e infundada dele fez aquela noite acabar mais cedo. O mundo não é perfeito, e são necessários erros, erros para atingir a perfeição. Mas nesse caso, o erro foi fatal. Foi decisivo como o acaso. O acaso lhe trouxe o amor, o erro lhe trouxe o ódio.
E assim acabou o prelúdio. Carro, casa, cama, sonho, final.
"Sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor.
Pois se eu me comovia vendo você; pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu deus como você me doía vezenquando.
Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma
praça. Então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme, só olhando você, sem dizer nada, só olhando olhando, olhando e pensando meu deus ah meu deus como você me dói vezenquando."
[CONTINUA]
[No final, nosso tempo é dos outros.
Nosso tempo é os outros.
E eu e você?
Somos os outros dos outros.
Daqueles que ficaram e se foram. E se foram para casas, cidades, bebidas, e fim.]
Começa com um aperto de mão. E melancolia.
Na verdade, começa com o acaso. Numa noite fria e sem rumo.
O som do Sol se pondo só o fez lembrar que quando ele surgisse novamente, do outro lado, mais perto, ele estaria sozinho de novo. E o mundo desabava. E a solidão era imensa; o mundo era imenso, um poço imenso de solidão.
E então o acaso. O aperto de mão e toda a tristeza naquele cumprimento epidermial momentâneo. O olhar correspondido. E aí, aquela mão se assentou na cadeira de plástico barata ao lado, e nunca deixava o copo dele vazio, os dedos sem o cigarro, era quase como se fosse uma importância desimportante, com um desconhecido que precisava de algo, de alguém. O reconhecimento foi imediato. O destino traçado também.
Uma relação inteira passou pels íris daquele do copo vazio. Claro, um possível amor. Como sempre, como com todos aqueles que o seguravam do precipício com o gesto mais ingênuo, sem ao menos saberem disso. Mas dessa vez, dessa vez era para ser diferente, dessa vez foi o acaso.
Em um mundo perfeito, ele teria ficado, o copo cada vez mais cheio, os olhares mais intensos, as pequenas faíscas do amor verdadeiro brotariam ali, naquela noite escura e solitária. E a história começaria ali, com aquelas testemunhas, com aquele amor nascido do acaso. Mas, o mundo não é perfeito, e a atitude impensável e infundada dele fez aquela noite acabar mais cedo. O mundo não é perfeito, e são necessários erros, erros para atingir a perfeição. Mas nesse caso, o erro foi fatal. Foi decisivo como o acaso. O acaso lhe trouxe o amor, o erro lhe trouxe o ódio.
E assim acabou o prelúdio. Carro, casa, cama, sonho, final.
"Sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor.
Pois se eu me comovia vendo você; pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu deus como você me doía vezenquando.
Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma
praça. Então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme, só olhando você, sem dizer nada, só olhando olhando, olhando e pensando meu deus ah meu deus como você me dói vezenquando."
[CONTINUA]
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