"O inferno são os outros".
[No final, nosso tempo é dos outros.
Nosso tempo é os outros.
E eu e você?
Somos os outros dos outros.
Daqueles que ficaram e se foram. E se foram para casas, cidades, bebidas, e fim.]
Começa com um aperto de mão. E melancolia.
Na verdade, começa com o acaso. Numa noite fria e sem rumo.
O som do Sol se pondo só o fez lembrar que quando ele surgisse novamente, do outro lado, mais perto, ele estaria sozinho de novo. E o mundo desabava. E a solidão era imensa; o mundo era imenso, um poço imenso de solidão.
E então o acaso. O aperto de mão e toda a tristeza naquele cumprimento epidermial momentâneo. O olhar correspondido. E aí, aquela mão se assentou na cadeira de plástico barata ao lado, e nunca deixava o copo dele vazio, os dedos sem o cigarro, era quase como se fosse uma importância desimportante, com um desconhecido que precisava de algo, de alguém. O reconhecimento foi imediato. O destino traçado também.
Uma relação inteira passou pels íris daquele do copo vazio. Claro, um possível amor. Como sempre, como com todos aqueles que o seguravam do precipício com o gesto mais ingênuo, sem ao menos saberem disso. Mas dessa vez, dessa vez era para ser diferente, dessa vez foi o acaso.
Em um mundo perfeito, ele teria ficado, o copo cada vez mais cheio, os olhares mais intensos, as pequenas faíscas do amor verdadeiro brotariam ali, naquela noite escura e solitária. E a história começaria ali, com aquelas testemunhas, com aquele amor nascido do acaso. Mas, o mundo não é perfeito, e a atitude impensável e infundada dele fez aquela noite acabar mais cedo. O mundo não é perfeito, e são necessários erros, erros para atingir a perfeição. Mas nesse caso, o erro foi fatal. Foi decisivo como o acaso. O acaso lhe trouxe o amor, o erro lhe trouxe o ódio.
E assim acabou o prelúdio. Carro, casa, cama, sonho, final.
"Sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor.
Pois se eu me comovia vendo você; pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu deus como você me doía vezenquando.
Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma
praça. Então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme, só olhando você, sem dizer nada, só olhando olhando, olhando e pensando meu deus ah meu deus como você me dói vezenquando."
[CONTINUA]
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
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