E não havia ninguém naquela casa. Ninguém que amasse, ninguém que fosse amado.
Tudo o que havia eram dois corpos deitados em um colchão. Molhados, salgados, vazios.
O vento soprava lá fora. E trazia palavras. E trazia vida.
As letras se juntavam com a força cinética que se projetavam sobre elas. Inocentemente descreviam o que estava prestes a acontecer. E com o vento veio a Lua. E com a Lua veio as palavras. E com as palavras, enfim, chegou o sentimento infinito e tão cuidadosamente evitado até então. O início do fim se propagava silenciosamente pelo corredor vazio rumo ao quarto entreaberto.
Os olhos se desencerraram e o reconhecimento do corpo ao lado foi mútuo. O sentimento dilaceroso também.
O nascimento do amor, e posteriormente do ódio, foi datado naquele mesmo instante, só mesmo quem estava lá para entender uma cena tão triste e tão, tão revoltante.
Um episódio assim é visto poquíssimas vezes numa existência carnal. E lamentado tantas outras.
domingo, 7 de dezembro de 2008
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