As notas eram heréticas. Os acordes celestialmente estripados naquele instrumento incomum.
O som se movia desastrosamente por entre os móveis, e muitas vezes pedia desculpa por derrubar alguns ao chão.
Era tudo muito lindo, era tudo muito perfeito.
O êxtase de tanta maestria era relatado pelas lágrimas involuntárias e sempre fáceis.
E então o sonho acabou, e o Sol se infiltrou em suas córneas novamente. Pois era assim que o dia era percebido, uma vez que o mundo era mudo, e se recusava a qualquer custo a dividir tamanha beleza a não ser através de sonhos noturnos de um irreal imaginável.
Sou uma flexão verbal perdida em meio a tanto predicativo, e perdendo as esperanças com relação ao grande objeto indireto e ao substantivo abstrato que me cercam.
Me sinto errado.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
O Sol nada mais é do que a materialização de uma força incomensurável que desconstrói sonhos, amassa-os e em seguida os digere com seus tentáculos solares devoradores de energia. Ele se mantém vivo através do ato de sugar nossos anseios e transformá-los em pseudoimpossibilidades. O grande Destruidor da vida.
Postar um comentário